Depoimento do Autor e Encenador
Paulo Matos
Autor e Encenador de IA.COMédia
A IA passa a ser intérprete da realidade, criadora de narrativas e manipuladora de sentidos. E o ator deixa de ser apenas intérprete para se tornar coautor. O espetáculo vive da tensão entre a ordem e o caos, o controlo e o improviso, o humano e a máquina. Cada sessão é uma experiência irrepetível — a IA vai obrigar os atores a reagir em tempo real e a conviver com o inesperado, sem rede.
IA.COMédia é um autêntico laboratório vivo: uma experiência divertida e desconcertante, que convida o público a refletir sobre a relação íntima e contraditória do ser humano com as suas criações. “Este espetáculo fala, antes de mais, de nós — da forma como delegamos decisões, escolhas, memória, atenção e responsabilidade. Revela a nossa relação ambígua com a tecnologia: confiamos nela, tememo-la e criticamo-la. A tecnologia não é neutra, reflete escolhas humanas, valores, medos e desejos.
A peça comunica com o público de forma direta, frontal e cúmplice, sem moralismos nem discursos didáticos. Há riso, surpresa e reconhecimento. O humor é uma poderosa ferramenta de pensamento crítico. Em IA.COMédia, o riso não anestesia — acorda!
Carlos d'Almeida Ribeiro
Director do TIO, actor em IA.COMédia
O Teatro Independente de Oeiras já habituou o público a variadíssimas e importantes manifestações artísticas abrangentes, ecléticas e transformadoras.
Desta feita, aceitei o desafio do autor e actor Paulo Matos que, para além de ter sido meu professor nos anos 90, e sendo um virtuoso talento humano, me propôs coproduzir e fazer parte do elenco deste espectáculo ímpar com a IA a contracenar, de forma incontrolável, connosco.
No âmbito da criação da “plataforma” que nos permitem ter IA em palco, foi um processo profundamente árduo, mesmo desgastante do ponto de vista da ocupação de tempo, na criação inédita de soluções que permitissem o grande objectivo: IA a contracenar com os actores de forma não controlada pela mão humana, mas sim de livre e espontânea vontade da própria IA. Foi como se tivéssemos dado vida e liberdade para a IA tomar conta de uma parte significativa do espectáculo. Nesse sentido, cada sessão é quase única, uma vez que a IA dirá em palco textos de criação momentânea de acordo com o desenrolar das cenas.
Todo este processo foi uma aprendizagem de alto valor acrescentado para nós, equipa artística, técnica e tecnológica, dado que nos deu uma percepção “quase por dentro” da própria IA, num mundo cada vez mais artificialmente inteligente ou naturalmente estupido.
Creio, termos um produto artístico com um arco de evolução dramatúrgica não só muito apetecível de apreciar mas também impactante do ponto de vista do alerta necessário para algo ainda muito desconhecido mas que já está a transformar as nossas vidas.
Diversão e chamada de atenção andam de mãos dadas e estas, acabam por dar um murro no estômago.
Um obrigado muito especial a toda a equipa da LOKA, equipa esta responsável pela existência da IA da forma com a vamos ver, ouvir e sentir.